Campanha “Não dê esmolas”: Uma forma de Aporofobia, que alimenta a desigualdade social e ameaça à democracia

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Campanha “Não dê esmolas”: Uma forma de Aporofobia, que alimenta a desigualdade social e ameaça à democracia

Campanha “Não dê esmolas”: Uma forma de Aporofobia, que alimenta a desigualdade social e ameaça à democracia

Várias Prefeituras, como a de Poços de Caldas possuem uma Campanha, com fixação de placas nas ruas e espaços públicos, para desestimular a doação de esmolas a pessoas em situação de rua. Como todos sabem o Padre Julio Lancelotti critica veemente estas Campanhas feita pelas Prefeituras

Mas porquê? Vamos debater e discutir sobre Aporofia no artigo de hoje

“Aporofobia”, palavra pouco conhecida que significa repúdio, aversão ou desprezo pelos pobres. Uma palavra ainda não dicionarizada na língua portuguesa, mas aceita, desde 2017. E por que ocorre este repudio contra os pobres e população em situação de rua? Com o aumento da miserabilidade e da pobreza, o número da população de rua também aumenta. E proporcionalmente aumenta a rejeição, a hostilidade, o rechaço e mudança na arquitetura da cidade para dificultar a permanência da população de rua em locais públicos

Para o Padre Lancelotti, as campanhas que as prefeituras pelo país promovem para que as pessoas não deem esmola ou doações diretas aos mais pobres, alegando que isso alimentaria o “comodismo” e o “vício em viver nas ruas” são uma forma de Aporofobia.

De acordo com especialista, a população não pode acreditar que a população de rua aumenta porque aumentou as esmolas, que a esmola é tão rentável que mantém as pessoas na rua. Na verdade, quem dá esmola é o poder público, com a falta de orçamento para a Saúde, a Habitação Pública e a Assistência Social, que não consegue dar subsistência aos que mais precisam.

Aqui não estamos defendendo a esmola, mas que o poder público tenha politicas publicas efetivas para a população em situação de rua, principalmente neste momento que estamos vivendo onde a fome, a miséria e o desemprego jogaram famílias inteiras nas ruas.

Observamos que a Aporofobia aumentou, com as ações das Prefeituras com as chamadas “arquitetura hostil”, aumentando ainda mais o preconceito e a discriminação. De acordo com Filosofo Simões: “O ódio é gasolina na fogueira”.

Impedir que pessoas pobres (muitas vezes em estado de miséria) se abriguem em marquises ou, literalmente, debaixo da ponte, não faz com que a pobreza deixe de existir. E quando essas ações são praticadas pelo Estado, ganham o status de política pública. Vivemos num país em que representantes do poder Executivo nas suas três esferas – municipal, estadual e federal -– elaboram e executam políticas públicas baseadas na intolerância aos pobres, em vez de desenvolverem ações que efetivamente combatam a pobreza.

O pesquisador Antonio Djalma Braga Junior, diz que o contexto de desmonte de políticas sociais favorece o sentimento de aporofobia. Para ele, impedir a doação de comida é “o máximo da crueldade”. E precisamos acabar com esta história de Meritocracia, que as pessoas são pobres porque não se esforça, isto só causa mais ódio. Pensam que a culpa é dele por estar na pobreza e acham que quem recebe uma ajuda do governo não trabalha porque não quer, não pela falta de emprego.

Para finalizar, é triste mas o Brasil é um país que tenta esconder sua identidade conformada pela violência ao índio e ao negro, visibilizada pelo contingente de pessoas excluídas dos mais elementares direitos, a educação, a segurança, a alimentação, a moradia, etc. Não havia nome adequado para esse fenômeno, agora podemos denunciar como preconceito, aporofobia, que demanda respostas locais para essa característica de desumanidade universal.

Dra Yula de Lima Merola: Pesquisadora de Pós Doutorado da Unifal e Especialista em Gestão e Liderança Pública

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