Dia da Consciência Negra: qual é o papel das pessoas brancas na luta antirracista?

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Dia da Consciência Negra: qual é o papel das pessoas brancas na luta antirracista?

Dia da Consciência Negra: qual é o papel das pessoas brancas na luta antirracista?

Hoje comemoramos o Dia da Consciência Negra. Essa data foi escolhida em menção ao dia da morte de um dos maiores líderes anti escravagistas, Zumbi. Ela traz uma reflexão sobre a importância do povo e da cultura africana na construção do nosso país, já que a história do povo negro é apagada e negligenciada diariamente. Por isso, é tão importante ter uma data comemorativa: precisamos falar sobre a história africana e sobre a atualidade e realidade do povo negro no Brasil. Só assim poderemos debater e combater preconceitos.

E o que nós, pessoas brancas, temos com isso? Essa pergunta tem sido feita, e eu tento responder por meio do meu ativismo, enquanto mulher brasileira branca. E digo, temos tudo a ver com isso. O racismo é um problema estrutural que está presente na sociedade em que vivemos e que beneficia o status quo, mantendo as pessoas brancas nos espaços de poder e as pessoas negras marginalizadas. Por isso, a pergunta que realmente devemos responder é: qual o nosso papel, enquanto pessoas brancas, na transformação dessas estruturas e práticas discriminatórias?

Eu acredito que o primeiro passo é reconhecer o problema e descontruir. Devemos refletir sobre nossas convicções, expectativas, viéses inconscientes e, principalmente, sobre nossas ações e projetos de país e futuro. Como isso impacta a população negra? Você já pensou nisso? Você tem referências negras? Você já ouviu de uma pessoa negra como isso impacta na vida dela? Você já convidou uma pessoa negra para construir junto com você seus projetos? Enquanto não fizermos os recortes necessários, não entendermos que somos, sim, diferentes, que não partimos de um mesmo início e que temos, sim, privilégios, continuaremos a manter as estruturas racistas que dizimam os negros e negras todos os dias no país.

Enquanto a desigualdade existir em nossa sociedade, teremos que reservar um mês dentre os doze do ano para nos lembrar de refletir sobre a questão racial no país e os avanços por mais inclusão e igualdade neste campo. Mas não se engane! Isso deve ser feito cotidianamente para surtir algum efeito. É nosso dever sempre nos questionar e sermos ativos na luta antirracista todos os 365 dias do ano.

Gosto muito de uma frase “ Não somos todos iguais”, somos diferentes, e isso é muito lindo! Como Noemia Colonna dos Santos diz: “Nossas diferenças e diversidade são o que dão vida e sabor à democracia. É o coentro, a salsinha, o sal, a pimenta, o curry que dá o toque fundamental a um prato extremamente saboroso. Prove uma comida com o mesmo sabor todos os dias e verá o quão insossa a experiência será. Assim são as culturas, as pessoas, as etnias, as  ideias, as religiões: o tempero que dá o grande toque especial à nossa democracia”.

O racismo afeta a todos nós, porque racismo é um sistema estrutural de opressão, que favorece quem o pratica e empobrece quem o sofre. Quando observamos, percebemos que os avanços da pauta nos últimos 20 anos foram apenas um pequeno passo. Somente conseguiremos mudar quando houver uma solidariedade muito maior dos brancos que buscam ser antirracistas; quando reconhecermos que os negros brasileiros lutam cotidianamente, das mais diferentes formas, para estarem vivos; quando entendermos que precisamos de mais negros nos espaços de poder; quando colocarmos a história da cultura africana e negra nas escolas desde a primeira infância; quando buscarmos referências negras para todo e qualquer tipo de conhecimento; quando exigirmos que as pessoas e organizações racistas precisam ser punidas; quando entendermos que juntos somos mais fortes. E o quando é para ontem! 

Mas o que isto significa? Como diz a Socióloga Rosana Heringer “Reconhecer o protagonismo dos negros nas suas lutas, demandas, mobilizações e propostas. Por outro, significa reconhecer-se como parte do problema, da reprodução do racismo que acontece no cotidiano e em nossas estruturas, mas também como parte da solução”

Nós precisamos, enquanto pessoas brancas com uma perspectiva antirracista, nos converter a nossa responsabilidade histórica, tornando-nos agentes de transformação e incorporando de maneira permanente estratégias para alcançar maior igualdade racial no Brasil. E isso é para ontem!

Referencias:

Yula Merola – Farmacêutica-Bioquímica e Doutora em Ciências. Empreendedora Cívica da RAPS, Lider do Movimento Acredito, RenovaBR, membro da Associação Poços Sustentável-APS, Movimento Lixo e Cidadania

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