Uma viagem pelo interior de Minas Gerais: suas histórias, sua gente e os seus desafios

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Uma viagem pelo interior de Minas Gerais: suas histórias, sua gente e os seus desafios

Uma viagem pelo interior de Minas Gerais: suas histórias, sua gente e os seus desafios

Quero compartilhar com vocês a minha experiência de andar quase 4 mil quilômetros por uma pequena parte do interior de Minas Gerais, onde tive o prazer de conhecer lugares maravilhosos, de rever grandes amigos e fazer novos amigos. O começo de uma jornada que teve início no dia 06 de junho e que terminou no último dia 16.

Iniciamos a nossa viagem partindo de Poços de Caldas em um Prisma 2009, direto para Belo Horizonte. De lá seguimos para Itabirito, Ferros, Barroso, Ipatinga, Governador Valadares, Itabira, Prados, Tiradentes, Congonhas e Mariana.

O interior de Minas Gerais, ou interior mineiro ocupa 75% de todo o estado com lugares maravilhosos e uma riqueza enorme de pessoas, meio ambiente e, claro, gastronomia.

Minas Gerais é o segundo estado mais populoso do Brasil, com população estimada de 21,16 milhões de habitantes e é quarto maior do país em extensão territorial. Possui grandes reservas de minerais metálicos e não metálicos do país. Além disso, as bacias hidrográficas existentes fornecem condições para a construção de usinas hidroelétricas de forte impacto na geração de riquezas.

Com uma economia bastante desenvolvida, nosso estado conta com uma agropecuária moderna e um parque industrial diversificado, mas é caracterizado também pelas diferenças entre suas regiões, onde cada uma apresenta um tipo de atividade econômica distinta. Infelizmente, existe uma disparidade socioeconômica evidente entre as mesorregiões.

Nossa Minas Gerais é um dos mais extraordinários estados brasileiros, com a atraente arquitetura das cidades históricas de Ouro Preto e Mariana. Mas os atrativos turísticos vão além. Me refiro, por exemplo, à estrada Real e às estâncias hidrominerais. Sem esquecer, claro, da gastronomia mineira que, só de pensar, já dá água na boca. Deu para notar o porquê de o estado tanto nos cativar com opções para diferentes perfis de viajante.

A cidade de Tiradentes nos encantou à primeira vista. Bichinho, distrito de Prados, perto de Tiradentes, faz parte da estrada Real e merece ser descoberto. A Trilha dos Inconfidentes, um circuito turístico que liga 20 municípios, onde nasceram ou viveram pessoas que participaram do movimento Inconfidência Mineira é um charme só!

Na pequenina Ferros conhecemos o rio Santo Antônio e seguindo por uma estrada de terra para Ipatinga encontramos Mesquita com  sua tradicional Festa de Santo Antônio as margens do Rio Guanhães. Oh lugar bonito, gente!

Em quase todos os locais que passamos, a mineração era uma das principais atividades econômicas que trazem desenvolvimento, mas também impactos ambientais. Precisamos debater como desenvolver sustentavelmente nosso Estado que foi tão castigo pelos desastres ambientais que infelizmente não trouxeram aprendizados.

Minas Gerais é também conhecida como “a caixa-d’água do Brasil”. Com sua localização estratégica, importantes bacias hidrográficas nascem em Minas e abastecem populações de diversos Estados. Como seres conectores que são os rios, não há nada que se faça aqui que não cause impacto em outro lugar. A história do rio Doce nos mostrou como é profundo o desequilíbrio gerado por um desastre ambiental como em Mariana, com graves e extensas consequências humanas, ambientais, sociais, econômicas e existenciais.

Os rios de Minas dizem muito sobre o Brasil e nos conectam com desafios que são também globais. Da nascente à foz, tudo está conectado. Mas, entre uma ponta e outra, há um mundo de melhores decisões a serem tomadas, por todos nós, como sociedade.

O interior do nosso estado tem destaque por possuir um conjunto cultural muito rico e bastante peculiar, com a religiosidade tendo influência marcante nas principais manifestações culturais. O artesanato se faz bastante presente, destacando-se trabalhos com materiais tipicamente encontrados no interior do estado, como cerâmica, madeira, fibras, argila, bordados e tricôs.

Nessas caminhadas observarmos também as disparidades de renda a região Central, a mais próspera e populosa do estado, responde por quase metade (46,6%) do PIB mineiro, ao passo que as regiões historicamente mais deprimidas – Norte, Jequitinhonha/Mucuri e Rio Doce – totalizam, juntas, apenas 12,2%.

Este é só um pequeno pedaço da Nossa Minas Gerais

“Aí está Minas: a Mineiridade” – que tão bem definiu o escritor João Guimarães Rosa para traduzir Minas Gerais

Em cada esquina tem um “trem”, tem montanha, tem queijo, tem cachoeira e tem café.

E bora continuar esta caminhada!

Dra Yula de Lima Merola: Pesquisadora de Pós Doutorado da Unifal e Especialista em Gestão e Liderança Pública

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