Unidade de Valorização de Resíduos: O que a cidade precisa é de um Plano de Gestão de Resíduos Sólidos

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Unidade de Valorização de Resíduos: O que a cidade precisa é de um Plano de Gestão de Resíduos Sólidos

Unidade de Valorização de Resíduos: O que a cidade precisa é de um Plano de Gestão de Resíduos Sólidos

Esta semana foi noticiado que a Prefeitura de Poços de Caldas irá implantar uma Usina de Valorização de Resíduos (UVR). Uma Usina de valorização de resíduos consiste em agregar valor àquilo que normalmente seria descartado como lixo. São considerados processos de valorização de resíduos a reciclagem, a compostagem, o aproveitamento energético de aterros e o co-processamento de resíduos industriais, entre outros.

Mas precisamos explicar melhor o que significa isto e quais os impactos sociais e ambientais

Sabemos que a reciclagem e a compostagem não constituem novidade e se encontram bastante difundidos no mundo inteiro. Mas a valorização de resíduos ainda é incipiente no Brasil, mesmo nos grandes centros urbanos, onde há todo um conjunto de aspectos favoráveis à sua implementação

Então imagina em municípios pequenos ou de médio porte como Poços de Caldas? Os dados mostram que os programas de valorização de resíduos têm fracassado nestes locais. E por que?

Pois antes de implantar uma Usina precisamos planejar e conhecer a nossa cidade para avaliar se há condições favoráveis para a implantação.

Mas como pensar numa Usina senão temos nem Plano de Gestão de Resíduos Sólidos atualizado?

É só observamos a nossa coleta seletiva, por exemplo, que parece completamente incompatível com a realidade local. A rigor, esse tipo de coleta não tem sido bem sucedida. O mesmo se pode dizer da participação da comunidade em campanhas visando a separação prévia domiciliar.

Antes que implantar qualquer projeto “copiando” de outras cidades precisamos estabelecer objetivos e fazer algumas tarefas de casa.

Mas para que isto ocorra é necessário que os gestores do programa tenham razoável conhecimento da situação local e suficiente discernimento para perceber os diversos interesses em jogo e conciliá-los, numa perfeita integração com a comunidade envolvida.

Como falamos não basta implantar novos projetos ou ideias. É preciso dar continuidade, verificando se os objetivos iniciais foram alcançados e corrigindo-se eventuais distorções. Outra fator importante que não temos na cidade há muito tempo é Educação Ambiental para a população e a comunicação nas diversas mídias. É preciso aproveitar tanto os meios de comunicação de massa, quanto o trabalho educativo mais corpo-a-corpo, evitando a mera distribuição de folhetos. Pois um dos motivos do fracasso de muitos programas é o descrédito da população, dos políticos e de muitos técnicos em relação a programas anteriores, que não tiveram sucesso a longo prazo.

A problemática dos resíduos em Poços de Caldas não vem sendo encarada com a devida seriedade. É necessário que se estabeleça um modelo de gestão adequado, que leve em conta as especificidades locais. A valorização de resíduos é um conceito válido, na medida em que promove o aproveitamento de boa parte dos materiais que normalmente seriam dispostos no solo, degradando o meio ambiente.

Aqui em Poços de Caldas onde a produção de resíduos é pequena se comparada a dos grandes centros urbanos, recomenda-se muita cautela ao avaliar a possibilidade de implantação da valorização de resíduos. Na maioria das vezes, esta alternativa é desinteressante sob o ponto de vista econômico, tanto no caso da compostagem quanto da reciclagem.

Finalmente, é oportuno relembrar que intervenções do poder público são bem-vindas, mas precisam ser acompanhadas de perto pela sociedade civil organizada, de forma a evitar que interesses políticos se sobreponham aos aspectos técnicos inerentes à questão

Yula Merola é farmacêutica, professora universitária e gestora pública. Pesquisadora de pós-doutorado pela Unifal, doutora pela Unicamp, especialização em Farmácia Clínica e Gestão Ambiental.

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