Precisamos falar sobre o machismo em Poços de Caldas

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Precisamos falar sobre o machismo em Poços de Caldas

Há algumas semanas passei a ser considerada pré candidata a Prefeita de Poços de Caldas pelo meu partido, o Cidadania. Desde então tenho escutado muitas pessoas, ouvido atentamente muitas opiniões e, enquanto mulher, mãe, acadêmica e cidadã, não posso me furtar a falar a respeito desse tema que tem gerado certa polêmica, pois é, de fato, uma ferida aberta na nossa sociedade.

A primeira coisa que ouço é “corajosa”! Aí penso que toda pessoa que se coloca a disposição para exercer uma função de grande relevância tem que sim que ter coragem, mas aí esmiuço a conversa até entender o porquê da necessária coragem. Logo vem o fato de ser mulher.

Outra máxima comum na nosso meio Político é “mulher é bom pra vice ou para vereadora”. Aí reflito um pouco, será que a estrutura patriarcal conservadora onde a mulher tem que vir depois do homem é tão forte assim?

Os meninos que devem estar lendo talvez não façam ideia disso, mas as meninas certamente sabem o que é andar sozinha à noite pelas ruas de Poços de Caldas. Não digo somente nos bairros onde a iluminação é fraca, digo inclusive nas ruas centrais, nas praças, na região do terminal de linhas urbanas, na João Pinheiro. Basta estar com roupa de academia para sofrer assédio, mas o pior não é o assédio e sim o medo.

Não há pior violência do que a sexual, ter seu corpo e sua intimidade violadas sem consentimento causa danos enormes à vida de qualquer pessoa, e devido a esse medo, muitas mulheres preferem se esconder e deixar de vivenciar momentos importantes de vida, deixando o espaço público continuar sendo predominantemente masculino.

 “A filha de um amigo, certa vez, perguntou:”

“Pai, por que as mulheres usam tanta calça jeans em Poços?

De pronto ele falou sobre o frio, mas o fato mais claro e que não podemos deixar de observar, é que calças de malha justas, saias e shorts não são tão bem aceitos em todos os ambientes da cidade. Como mãe e professora eu me sinto na obrigação de explicar para os mais jovens, para protegê-las, mas também educar, inclusive os meninos, e sinceramente, me animo ao ver como a nova geração vai sim quebrar paradigmas, tanto meninas quanto meninos da nova geração estão mais conscientes.

Outra máxima do mercado profissional que não podemos mais aceitar é quando uma mulher é promovida, logo alguém (muitas vezes uma colega) já solta “deve estar dando para o chefe!”.

Mas que diacho de historinha que uma mulher só pode ser bem sucedida se sexualizar a coisa? E o tanto de mulher que para subir na carreira adota um visual mais masculinizado para poder ser “aceita” e vista como “competente”?

No último carnaval vimos que houve uma manifestação do movimento feminista da cidade no Bloco das Fridas, com uma performance bem chamativa. A chuva de comentários nas redes sociais foi sempre desqualificando as meninas “tudo feia/só dragão”. “Precisam se depilar”. “falta de macho”. “falta de couro”. “falta de serviço”. “tudo sapatão”.

Alguns poucos entenderam a mensagem de que o machismo está na sociedade como um todo, não somente no elemento que pratica a violência, e para essas pessoas, que conseguem se abrir a compreender o outro, que o Cidadania23 vem se posicionar, sobre esse e muitos outros temas importantes e nesse bojo, que eu tento compreender qual papel as mulheres devem exercer na esfera pública.

Quantas mulheres devem ter vontade de participar do processo decisório da cidade, mas enfrentam resistência dentro da própria casa? Eu sou uma privilegiada que tenho um casamento de 26 anos com um companheiro e dois filhos que me apoiam em tudo. Conquistei espaço no trabalho, na Universidade, nos movimentos dos quais participo também muito graças a esse suporte, pois as batalhas para chegar até aqui foram muitas.

O dia da mulher está chegando e acredito que temos que avançar muito em Poços de Caldas na discussão de gênero. Com maturidade, sem vitimismo, sem acusações ou procurando culpados. Porém temos que despertar consciência sobre que cidade queremos para nossos filhos e filhas, não basta investir em segurança pública e policiamento (que são peça fundamental) sem trabalharmos educação, respeito, sororidade e cidadania!

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